
Foto: Lucas Tavares / Zimel
Black Pantera no Rock in Rio: o metal preto tomou o Sunset e ainda dividiu o palco
10/09/2026 · BRASIL & MUNDO · Rádio BCR
Fala, galeraaa!!! Teve dia do metal no Rock in Rio no sábado (5) e o que rolou no Palco Sunset é dessas coisas que a gente vai lembrar por muito tempo. Não pelo tamanho da produção, mas pelo que estava em cima daquele palco.
O Black Pantera entrou às 17h50 debaixo de chuva. Trio de Uberaba - MG, formado pelos irmãos Charles Gama (guitarra e voz) e Chaene da Gama (baixo e voz), com Rodrigo “Pancho” Augusto na bateria. Três homens pretos tocando metal pesado num festival gigante, e não é novidade pra eles: é a terceira vez da banda no Rock in Rio, depois de mais de dez anos usando o som como ferramenta contra o racismo.
A chuva caiu forte e não tirou ninguém do lugar. Serviu de combustível: as rodas de mosh se espalharam pela grama quase inteira.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board
”Fogo nos Racistas” cantado por uma multidão
O show abriu com “Hórus”, do disco novo, e Chaene mandando o “todos os olhos em mim”. Depois veio “Obsoleto” (a faixa que tem Derrick Green, do Sepultura, na versão de estúdio), “Padrão é o Car*lho”, “Fogo nos Racistas” e “Tradução”.
Para na palavra “Fogo nos Racistas” um segundo. É o nome de uma música, e naquele momento virou grito coletivo de uma multidão inteira num festival aberto. Não teve discurso explicando, não teve pedido de licença. Teve um público enorme berrando junto uma frase antirracista porque quis.

Chaene subiu com a camisa dos Racionais MC’s. Foto: Adriana Vieira / Rock On Board
Repara na camisa da foto: Racionais MC’s. Não é figurino escolhido no acaso. É uma banda preta de metal levando pro maior palco do país o nome do grupo que mudou a música preta brasileira. Tem gente que precisa de dez minutos de discurso pra dizer o que aquela camisa diz sozinha.
E teve momento de parar tudo: Chaene dedicou “Tradução” às mães, pedindo o fim da escala 6x1, “para que suas mães possam estar mais tempo com vocês”. Metal pesado falando de jornada de trabalho, no meio do Rock in Rio.
O detalhe que fez a diferença: eles saíram do palco
Aqui é onde o show virou outra coisa. O Black Pantera chamou a Nervosa, banda de thrash metal de São Paulo formada só por mulheres, pra dividir o Sunset.

As duas bandas, o mesmo espaço. Foto: Ellen Artie / Rolling Stone Brasil
Convidado em show grande costuma ser figuração: sobe, canta meio refrão, agradece e sai. Não foi o caso. O Black Pantera saiu inteiro do palco pra Nervosa tocar as músicas delas sozinha, com “Ghost Notes” e “Slave Machine”. Depois voltaram pra tocar junto em “Serotonina”, e Charles Gama entrou em “Endless Ambition” com elas.
Isso não é detalhe pequeno. É a diferença entre “olha que legal, chamamos umas meninas” e “esse palco é de vocês também, toquem”. Dividir os holofotes de verdade custa alguma coisa, e eles pagaram.
E a plateia respondeu do jeito certo: na hora da Nervosa, se formou uma roda de mosh só de mulheres no meio da grama. Ninguém anunciou, ninguém organizou. Simplesmente aconteceu, num gênero que historicamente não facilita a vida de mulher nenhuma.

Foto: Adriana Vieira / Rock On Board
E ainda fecharam com Rita Lee
No fim, todo mundo junto num cover de “Obrigado Não”, da Rita Lee, com Charles Gama gritando “Viva Rita” pro público. Rita Lee em versão pesada, tocada por uma banda preta e uma banda de mulheres, no Rock in Rio. Quem montou esse roteiro sabia o que estava fazendo.

Foto: Thaís Barros (@speccula) / Igor Miranda
Por que isso interessa pra gente aqui
Porque representatividade não é palavra bonita de release, é gente ocupando lugar. E o recado que aquele palco deu vale pra qualquer cena, inclusive pra nossa aqui no agreste.
O Black Pantera não subiu lá como “a banda preta do festival”, como cota, como curiosidade. Subiu como banda de metal boa que estava lançando disco novo, o “Continental” (o quinto deles, que saiu em agosto e ainda tem Duquesa, Sandra de Sá e Chico César), e tocou de igual pra igual com o line-up internacional. A representatividade veio junto com o som, não no lugar dele.
E o gesto de sair do palco pra outra banda brilhar é o tipo de coisa que a gente prega aqui toda quarta: cena não é competição, é fila que anda. Quem já subiu um degrau puxa quem vem atrás.
Se tu ainda não ouviu o “Continental”, corre lá. E se conhece banda daqui da região que merece esse tipo de espaço, joga o nome no nosso batepapo ou no grupo, que a gente quer saber. É assim que a fila anda. 🤘
Fonte: https://zimel.com.br/black-pantera-nervosa-rock-in-rio-2026-palco-sunset/
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